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………Olá, caros leitores! Gostaria de escrever este texto de maneira informal, porém sem deixar de relevar o que é de sua devida importância.
……….Sabemos que o assunto à cerca de mulheres presentes na mesa de RPG ainda é algo polêmico. Mas ver mulheres em uma mesa de jogo atualmente tornou-se bem mais comum ou, no mínimo, mais tolerável na visão de alguns jogadores mais antigos, do que era há alguns anos atrás.
……….Não quero que pensem que este artigo é uma dissertativa feminista. Pretendo relatar aqui, fatos e casos verídicos e até minha própria experiência neste mundo tão envolvente do RPG, no intuito de mostrar aos demais RPGistas que as mulheres também apreciam fantasiar, criar, escrever, batalhar e participar de uma boa rolagem de dados, seja para combater um vilão que está destruindo um vilarejo capturando as almas dos mortos para reviver uma espécie de demônio ou para saber se a ladina do grupo conseguirá blefar em cima de um mercenário convencendo-o que uma peça de cobre é na verdade uma peça de ouro.
……….Como jogadora, posso dizer que o que mais me encanta neste universo é a variedade. As inúmeras opções e situações que podemos explorar a cerca do nosso próprio personagem ou do mundo criado pelo Mestre. Mulheres também gostam de criar e acima de tudo, enriquecer, relatar.
……….Sempre achei que um dos pontos mais positivos e estimulantes no RPG é a construção do background de um personagem. Esta é uma oportunidade única de tornar o herói, ou antagonista, como preferir, algo mais humano, mais palpável. Dar vida a algo que existe apenas em sua imaginação.
……….Fazem mais de sete anos que comecei a jogar RPG e me lembro como se fosse hoje da minha primeira personagem, a Morgana. Ela era uma vampira de mente conturbada que teve seus pais assassinados e oscilava entre o lado bom que ainda permanecia dentro de si e o caos de uma vida obscura ao qual fora submetida.
Sem modéstia, ainda hoje vejo em Morgana uma personagem rica, com dilemas bem próximos aos nossos: crise existencial, oscilações de humor, descoberta sobre a própria personalidade, rejeição, solidão, problemas em se relacionar e em ter laços de confiança…Todos devidamente interpretados na mesa de jogo, porém, com a devida moderação de quem sabe que o RPG é um jogo social onde cada um tem direito de interagir com os outros.
……….Minha empolgação era tanta que passava horas acordada de madrugada criando sua história e desenvolvendo sua personalidade. Acredito que cada personagem criado é parte de seu próprio criador, algo que ele é, ou que gostaria ou poderia ser.
……….Com o passar do tempo, adquirindo conhecimento enquanto observava os mestres que eu tive, resolvi arriscar e aceitar um desafio: o de ministrar uma mesa de RPG. Hoje em dia, sou mestre de um grupo onde a maioria são mulheres. Algumas começaram a jogar comigo e outras já tinham experiência como jogadoras. Devo dizer que nenhuma delas “faz feio”.
……….É possível perceber uma diferença um tanto quanto sutil na forma de incorporar um personagem ou de lidar com os desafios propostos pelo mestre, mas em um contexto mais amplo todas nós mulheres agimos exatamente como os homens numa mesa de jogo. No nosso grupo, por exemplo, existem as estrategistas, as teatrais e existe até mesmo a “hack´n slasher”, com o seu guerreiro tão bárbaro quanto o Conan.
……….Isso nos revela, por fim, que a idéia de que homens e mulheres não têm entrosamento numa mesa de jogo não poderia estar mais errada. E que hoje, mais do que nunca, podemos dizer que quando se trata de RPG, antes de sermos homens ou mulheres, somos RPGistas! |