RPG e Recursos Humanos – o Projeto Teomaquia
Não é de hoje que o mundo empresarial está crescendo o olhopara os Role Playing Games. A possibilidade de treinamento de executivos e funcionários em geral através de estratégias lúdicas não é uma novidade para quem trabalha nos setores de RH e Treinamento de empresas que percebem a importância de ter profissionais capacitados e estimulados para exercerem suas tarefas satisfatoriamente.
Mas a real utilização do RPG como treinamento de executivos ainda é uma tímida iniciativa no empresariado brasileiro… por enquanto.
Existem iniciativas como a da I9Ação, criadores do Madru, um “RPG corporativo”. Outro exemplo interessante é o Aasgard, de Paula Falcão. Fora isso, há diversos trabalhos sendo desenvolvidos, sem falar de inúmeros TCCs (teses de conclusão de curso), mas que não vamos falar a respeito pela falta de dados concretos.
Há também a Jogos de Aprender, do Professor Marcos Tanaka Riyis, que desenvolve um muito criativo e interessante trabalho com jogos educativos e cooperativos junto a empresas e escolas há anos, com resultados satisfatórios, sendo uma das referências na área.
Mas outra referência surgiu agora em 2006, com o sugestivo nome de Teomaquia.
A Roche Farmacêutica procurou a LUDUS CULTURALIS para desenvolver um trabalho de treinamento de gerentes regionais de um de seus produtos na América Latina. Em um mês, a LUDUS CULTURALIS desenvolveu o projeto Teomaquia e o apresentou à Roche Farmacêutica, tendo antes desenvolvido uma pequena aventura de RPG para demonstração chamada Terror em Primazia. A demonstração foi um sucesso, tendo instantes hilários em que os jogadores, diante da perspectiva de enfrentar o terrível dragão Maumor, tiveram que se desdobrar para usar todas as suas habilidades e vencer a fera, resgatar a princesa e conseguir a benevolência do rei. Depois da aventura, foi feita uma análise pelos próprios jogadores, quando então eles perceberam como a técnica do RPG poderia ser utilizada no treinamento.
Dado o aval, a aventura Teomaquia: a batalha pelo Olimpo foi criada e desenvolvida. A concepção inicial foi de Felipe C. Pacca, e participaram do desenvolvimento Maria do Carmo Zanini e Jaime Daniel L. R. Cancela. Ambientada na Grécia antiga, Teomaquia coloca os jogadores como deuses olímpicos (criados para o jogo) que são incubidos por Zeus e Atena de descobrir por que a fé dos mortais nos deuses tem diminuído. Ao investigar, os deuses descobrem uma terrível verdade que pode significar o fim do Olimpo, e sua salvação depende dos mortais.
O Projeto Teomaquia teve sua conclusão em Santiago do Chile, onde dois narradores da LUDUS CULTURALIS (Natália Urrutia Salvo e Jaime Daniel Cancela) se juntaram a uma terceira narradora (Laura Cárdenas Cortés) para desenvolver a atividade, que foi realizada em 27 de agosto de 2006.
A aventura, totalmente narrada em espanhol, foi realizada na enoteca do Cerro San Cristóbal, em Camino Real. Participaram 18 representantes da Roche Farmacêutica de toda a América Latina. Durante três horas e meia, pessoas que nunca haviam jogado RPG representaram deuses gregos e, graças a um sistema de regras muito simples, criado especificamente para atividade, não tiveram dificuldades para participar do jogo, no qual tiveram que percorrer diversos locais da Grécia e encontrar outros deuses e seres do universo mítico grego. Outro ponto interessanteante de ser ressaltado é que, pouco antes da atividade, todos foram questionados e somente dois deles já tinham ouvido falar do Juego de Rol, que é como os países de língua espanhola chamam o RPG. Após a atividade, houve um bate-papo, quando então foram levantados os problemas pelos quais os jogadores passaram, quais as soluções encontradas e, o mais interessante, como isso poderia ser comparado com seus problemas da vida real. Segundo eles, o que o jogo demonstrou de forma positiva era a necessidade de levarem para suas vidas profissionais o trabalho de equipe, a vontade de conquistar novos objetivos, a neccesidade de avaliar bem suas escolhas a longo prazo e o entusiasmo em seu trabalho.
Isso serve para exemplificar como o RPG tem diversos pontos positivos como atividade lúdica, educativa e empresarial. Quando empresas multinacionais começam a utilizar os Role Playing Games como método de treinamento para seus executivos, isso é um sinal que, paulatinamente, toda a mistificação que envolve o RPG será esclarecida. Só é necessário um trabalho sério e contínuo de explicações a respeito. E um pouco de paciência.
Fonte: LUDUS CULTURALIS
Arquivado em: Biblioteca
